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  • Revenda se preocupa com a estabilidade do S10

    O que esperar para 2013. Essa foi a principal temática do 3º Encontro de Revendedores do Sindicombustíveis Resan e 1º Encontro do Sudeste Brasileiro, realizado no dia 22 de novembro, em Santos, São Paulo. De acordo com o presidente da Entidade, José Carmargo Hernades, o mercado apresenta alguns gargalos e é preciso preparar o revendedor para o que vem por aí.

    O presidente lembrou que recentemente a cidade de Santos sofreu em alguns momentos com a dificuldade das Distribuidoras em fornecer o diesel S50. “Precisamos saber o que vai acontecer com esse diesel novo com baixo teor de enxofre. Vamos ter produção, não vamos ter?

    Quem também ressaltou as preocupações com esse mercado foi o presidente da Fecombustíveis, Paulo Miranda. Segundo ele, a partir de primeiro de janeiro, o mercado terá um grande desafio pela frente. O temor é que o teor de enxofre sofra alterações e o revendedor seja penalizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

    “Em outros países não existe nenhuma especificação com exatidão. Nos Estados Unidos a tolerância é até S15. Temos que pensar em uma flexibilização da legislação , pois não existe graduação para a não-conformidade”, lembrou.

    A recomendação da Federação é que o revendedor guarde a amostra testemunha, mesmo ela não sendo mais exigida. “Somos o grupo de empresas mais fiscalizado do país. Não estamos reclamando da fiscalização, mas existe um custo alto por isso. Ser revendedor no Brasil está muito difícil e ainda temos a concorrência daqueles que não recolhem todos os tributos no etanol”, reclamou Miranda.

    Painel

    Temas como o S10 e o etanol tomaram conta do Painel “Biocombustíveis: realidade e expectativas, sua importância na matriz energética brasileira. Mediado pelo jornalista George Vidor, o painel reuniu representantes da Fecombustíveis, Sindicom, Unica, Anfavea, Petrobras e ANP.

    De modo geral os presentes questionaram o papel do etanol, que já chegou a ter 50% do mercado e agora sofre com a falta de investimentos. O representante da Unica, Luciano Rodrigues, lembrou a trajetória do produto, que após forte crescimento, passou por uma crise das empresas em 2008. “O nível de investimento no setor mudou, pessoas compraram empresas em crise, o aumento da idade do canavial reduziu a produção, além de outros fatores de origem técnica e biológica que fizeram a produção cair”, comentou.

    Segundo ele, hoje não é viável criar uma nova Usina. ” A questão é como recuperar as diretrizes do etanol na cadeia produtiva. Demanda cresce, mas precisa crescer a produção. Se nada for feito o país vai ter que importar”.

    De acordo com César Guimarães, do Sindicom, no Brasil os biocombustíveis representam 23% da matriz veicular, mas o etanol sofreu queda na oferta, com redução de 60% do consumo de 2006 até agora. “Demorará 6 ou 7 anos para voltar ao mesmo nível de consumo. O governo precisa definir o papel do etanol. Achamos que dificilmente alguém vai investir nesse mercado se não houver uma definição”.

    No caso do biodiesel, Guimarães diz que com o marco do produto só haverá aumento do percentual em 2014, o que permitirá tempo suficiente para a correção de questões como a borra. Ele alerta que no caso do diesel S10 tem que haver mudança na cultura quanto ao manuseio do produto, especialmente pela característica hidroscópica do produto (absorção de água).

    A Petrobras, por sua vez, criou até um passo a passo sobre o manuseio do produto no seu site. “A responsabilidade de segregação vai até a Transpetro. Vamos começar a distribuir o S10 na região de São Paulo e estados da região Norte a partir de 12 de dezembro, até o dia primeiro de janeiro, todo o sistema estará renovado”, explicou Paulo César Aguiar.

    Para o representante da Anfavea, Mário Teixeira, o importante é a qualidade do produto. “O biodiesel tem muitas fontes e não quer dizer que seja o mesmo produto. Não dá para queimar qualquer biodiesel em motor. A Anfavea procura ter segurança para ter produto adequado. A Anfavea recomenda 5% de biodiesel, acima disso deverá ser analisado pelo fabricante”.

    Questionado sobre uma flexibilização por parte da ANP quanto ao teor de enxofre no diesel S10, o representante da Agência, Leandro de Faria disse que até o momento o grupo de estudo formado na Agência não detectou problemas de variação de enxofre no diesel S50, mas que a questão continua sendo analisada em relação ao S10.

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